Derepente as luzes se apagam. Uma fumaça negra, escura toma conta do lugar. Ninguém consegue ver nada. E de repente, a alegria, a felicidade, a música e a dança se dão por encerradas. O show acaba. Tudo se transforma em prantos, gritos de súplica e lágrimas, somadas ao desespero e a vontade de se libertar. “Onde está a saída de emergência? Onde está o amigo que veio comigo? Deixem-nos sair, por favor!” A agonia perdurou até 5h30min da manhã, mas a morte se faz e se fará presente por muito tempo. Quantas pessoas, a esta hora, dormem profundamente sem vontade? Quantos pais nunca mais poderão beijar seus filhos? Quantas tias, primos, amigos não poderão jamais ter longas conversas ao telefone? Muita gente fala “essas mortes poderiam ser evitadas”. Mas quantas coisas não poderiam ser evitadas nessa vida? Não é hora de julgar, mas sim de abrir o coração e a mente para acolher a cidade gaúcha que chora pelas vítimas do incêndio. O fogo não dava licença para ninguém. E hoje, centenas de corpos estão estendidos; outros, não foram encontrados. A morte se alastra com vigor por cada esquina, cada casa, cada pedacinho de chão de Santa Maria. Celulares tocam sob os corpos, mas ninguém quer acreditar e falar o que realmente aconteceu. As universidades, as ruas, os bares e as casas de família jamais serão as mesmas. Sempre irá faltar um pedaço que numa noite sombria de janeiro de 2013 se perdeu completamente deste mundo. A dor toma conta da cidade. Os jovens não vão acordar neste domingo. Não vão almoçar. Não vão conseguir compreender a gravidade da situação e muito menos como o futuro, que parecia tão próximo, foi arrancado com truculência das suas mãos. É, Brasil… O céu do Rio Grande do Sul jamais será o mesmo.”
— Luto por Santa Maria - Por todos os jovens que foram obrigados a dormir mais cedo…
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